Lisboa Madrid Tejo: ProTejo apoia candidatura a património mundial com criticas ao trabalho dos dois países
24-02-2010 O movimento PROTEJO considera positiva a ideia de uma candidatura do Tejo a Património Mundial da Unesco mas alerta que “nenhum dos países envolvidos” está a realizar os esforços para proteger o seu património natural.
Paulo Constantino, porta voz do movimento, disse à agência Lusa que a candidatura ibérica pela divulgação e valorização do património que é o rio Tejo é “positiva”, afirmando que “nenhum dos dois países envolvidos está a realizar os esforços necessários, nem sequer a percorrer o caminho adequado para proteger o património natural do rio Tejo, que é o suporte de toda a actividade humana e cultural que nele se desenvolve”. A candidatura, que conta com a adesão de 20 municípios ribeirinhos de Portugal e Espanha, “é uma mais valia” para o Tejo, afirmou o dirigente, tendo acrescentado ser este “o maior rio da Península Ibérica, com uma vasta bacia hidrográfica, o maior estuário e a maior reserva de água da Europa, para além de outras valências tanto naturais, de paisagem e de biodiversidade, como de património histórico e cultural”. “Este património tão valioso quanto complexo justifica uma candidatura que se apresenta como importante, quer pela divulgação do património construído e natural do rio, quer pelo facto do seu sucesso poder permitir a proteção deste “bem” através de um programa ibérico “para a recuperação e valorização integral do Tejo e das frentes de água, desde a nascente até à foz”, afirmou. Segundo Paulo Constantino, porta voz de uma ONG que envolve 600 cidadãos, associações e autarquias, a candidatura à UNESCO envolve um conjunto de exigências e um trabalho profundo de fundamentação que “deverá demorar alguns anos”, tendo considerado “determinante” que a candidatura seja única, “do Tejo no seu todo”, e contando com o envolvimento dos dois Estados, “que a apoiem e deem o seu aval”, para que seja aceite. “O sucesso da candidatura depende em muito da capacidade de ambos os países garantirem as condições para a preservação do Tejo como um rio vivo, do seu enquadramento paisagístico natural e dos seus ecossistemas naturais, onde se integram as espécies animais, com especial relevo para as piscícolas, como a lampreia de mar”. O responsável lembrou a “iminência de várias ameaças ao património natural” do Tejo, desde a política de transvases em Espanha até às barragens de Almourol e Alvito, sendo que “qualquer delas lhe retirará a beleza natural de ser um rio vivo em Portugal e colocará em causa quer a qualidade da água quer o desenvolvimento de espécies piscícolas relevantes para o património gastronómico”. Lançada em 2008 pela Associação Os Amigos do Tejo e os parceiros espanhóis da Tagus Sostenible, a intenção de elevar o Tejo Ibérico a Património Mundial da Humanidade, sob a designação de Tagus Universalis, surge como um “reconhecimento da sua mais valia patrimonial e ambiental e com a finalidade de melhor proteger o rio e de o conservar futuramente”. As associações promotoras preparam o 3.º Congresso do Tejo, previsto realizar-se em Toledo no próximo mês de junho. MYF. *** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico*** Lusa/Fim |
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